Relatório aponta que restrições impostas pelos EUA agravam crise humanitária e geram temor entre populações vulneráveis.
A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que as medidas migratórias adotadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, geraram “pânico” entre milhões de pessoas em países mais pobres. A avaliação consta de um relatório divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que aponta impactos severos das restrições americanas sobre populações vulneráveis.
O documento destaca que as políticas endurecidas durante o governo Trump, incluindo o fechamento de fronteiras, deportações aceleradas e vetos a imigrantes de determinadas nacionalidades, ampliaram a insegurança global. Segundo a ONU, países em desenvolvimento foram os mais afetados, especialmente aqueles que dependem de remessas de dinheiro enviadas por cidadãos que emigraram para os Estados Unidos.
Impacto nas economias frágeis
O endurecimento das regras migratórias resultou na queda do envio de remessas financeiras para diversas nações da América Latina, África e Oriente Médio. Em países como El Salvador, Honduras e Haiti, o dinheiro enviado por imigrantes representa uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB). O corte nessas remessas comprometeu serviços básicos e aprofundou crises humanitárias.
Além disso, o ACNUR destaca que o aumento das deportações forçadas deixou milhares de pessoas sem alternativas de sustento em seus países de origem. Muitas dessas nações enfrentam dificuldades econômicas e sociais que impedem a reinserção dos deportados no mercado de trabalho, agravando o desemprego e a pobreza.
Medo e insegurança entre imigrantes
A ONU também aponta que a política de “tolerância zero”, adotada durante o governo Trump, intensificou o medo entre comunidades imigrantes, mesmo aquelas que viviam legalmente nos Estados Unidos. Programas como o DACA (Ação Diferida para Chegadas na Infância), que protege jovens imigrantes da deportação, foram colocados sob ameaça, gerando incerteza entre milhares de pessoas.
O relatório menciona ainda que as restrições a refugiados, especialmente de países muçulmanos, agravaram a crise migratória global. A suspensão temporária do programa de reassentamento reduziu as chances de proteção a famílias que fugiam de guerras e perseguições.
Reações internacionais
As medidas americanas foram criticadas por organizações de direitos humanos e governos de países afetados. Líderes de nações latino-americanas e africanas pediram que os EUA reconsiderassem as políticas migratórias, argumentando que o fechamento de portas não apenas prejudicava imigrantes, mas também dificultava a cooperação internacional em temas como segurança e comércio.
Com o fim do governo Trump, a administração de Joe Biden reverteu algumas dessas políticas, retomando programas de acolhimento e flexibilizando certas regras de imigração. No entanto, especialistas afirmam que os efeitos das restrições impostas anteriormente ainda são sentidos em diversas partes do mundo.
O ACNUR enfatiza que uma abordagem mais humanitária é necessária para lidar com os desafios da migração global, defendendo políticas que garantam a segurança tanto dos países receptores quanto dos imigrantes que buscam melhores condições de vida.